"Não me instes para que te abandone, e
deixe de seguir-te; porque aonde quer que tu fores irei eu, e onde quer que
pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus.” (Rute 1:16)
Continuemos a história de Rute, iniciada no
post anterior.
Após aquele rápido encontro com Boaz, quando
dele recebeu a bênção, ao findar o dia, Rute retorna à sua sogra, a quem relata
as ocorrências daquele dia.
Noemi então esclarece à sua nora que Boaz era
um dos remidores de seu falecido marido, bem como de seus filhos e a instrui
sobre como se aproximar dele.
No dia seguinte, Rute coloca em prática o plano
de Noemi e se deita aos pés de Boaz na hora de descanso da ceifa. Na nossa
cultura, isto nos parece estranho, mas considerando o foco legal da questão, voltado
a um fim nobre na cultura judaica, torna-se compreensível.
Para sua surpresa, ao acordar e vê-la a seus
pés, Boaz se recusa a possuí-la, esclarecendo haver outro remidor que teria
prioridade na linha de sucessão, a quem consultaria primeiramente.
Assim, ele aguarda o momento de se encontrar
com este remidor preferencial, digamos,
a quem expõe a situação,
começando por consultar seu interesse em adquirir as terras dos falecidos
Elimeleque e seus filhos e também a suscitar-lhes descendência mediante união
com Rute.
Para surpresa e satisfação de Boaz, o remidor
preferencial abre mão e fecham o negócio na presença de testemunhas e o selam
com a entrega do sapato do segundo ao primeiro (símbolo de contrato firmado na
cultura judaica da época).
Assim, no dia seguinte, Boaz adquire de Noemi
as terras deixadas por Elimeleque e aceita a união com Rute, para prover
descendência a esta família.
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Fonte: http://2.bp.blogspot.com |
Tudo indica que eles tiveram um casamento feliz e
harmonioso.
Noemi passou da situação de mulher solitária para a de avó
realizada e contente com seu netinho nos braços.
Agora vem a parte em que este episódio se
insere no Plano da Redenção: desta união nasceu Obede, que gerou Jessé, que
gerou Davi, de cuja linhagem nasceu Jesus, o nosso Redentor.
Concluindo, esta história evidencia o Amor de
Deus por seus filhos: a família de Noemi poderia ter acabado, sem deixar
descendente, mas devido ao seu testemunho a uma nora estrangeira, esta se
converte, opta por permanecer com ela, com seu povo e com seu Deus.
De Rute ficou célebre sua decisão e postura,
quando insistiu em acompanhar Noemi: "Não me instes para que te abandone,
e deixe de seguir-te; porque aonde quer que tu fores, irei eu, e onde quer que
pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus; onde
quer que morreres, morrerei eu, e ali serei sepultada. Faça-me assim o SENHOR, e
outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti”. (Rute 1: 16
e 17).
Deus operou de maneira misericordiosa e essas fiéis
mulheres foram honradas com o privilégio de participar da genealogia do
Salvador da Humanidade.