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sábado, 11 de maio de 2013

E VÓS: QUEM DIZEIS QUE EU SOU? - V

JESUS NO PERÍODO DAS SETENTA SEMANAS

“Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou? Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.”  (Mateus 16:15 e 16)

Relembrando mais uma vez o objetivo do nosso estudo, que é dar sustentação racional à fé cristã, veremos hoje como Jesus Se situa no cumprimento do período profético das Setentas Semanas, revelando-Se o protagonista dos eventos, respondendo à pergunta três:

3.   Como Jesus se situa no período das Setenta Semanas? Como se demonstra que o protagonista dos eventos abordados no texto é Jesus?

Vamos tentar responder a essas duas perguntas de forma vinculada. Voltemos ao texto de Daniel 9:

25 – “Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido, ao Princípe, sete semanas e sessenta e duas semanas; as praças e as circunvalações se reedificarão, mas em tempos angustiosos.

26 – Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido e já não estará...

27 – Ele fará firme aliança com muitos, por uma semana; na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares...”.

Nessas passagens aparecem importantes expressões como: “Ungido, príncipe, aliança (ou concerto), cessar sacrifício, oferta de manjares”, que nos remetem a atos e fatos relativos a Jesus, valendo destacar a “firme aliança que ele faria com muitos”.

Algumas denominações religiosas atribuem o vers. 27 acima ao anti-Cristo, porém deixam de observar que a Bíblia não tem um texto sequer que refira ao anti-Cristo firmando concerto; em contrapartida, existem várias passagens mencionando o Filho de Deus, o Ungido (em hebraico=Messias, em grego=Cristo) firmando aliança com os seres humanos, para remissão dos pecados.

A unção de Jesus pelo Espírito Santo marca o início do ministério público de Jesus, o que ocorreu após o Seu batismo, no ano 27 d.C., por João Batista. Ao sair Jesus das águas do rio Jordão, onde foi batizado, o Espírito Santo desce sobre Ele, em forma corpórea de uma pomba e a voz de Deus é ouvida: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”, conforme relatam Mateus 3:13-17, Marcos 1:9-15, Lucas 3:21-23, João 1:31-34, Atos 10:37-38.

Importante frisar a seguinte expressão de João Batista, quando viu Jesus vindo ao seu encontro:

“... Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! É este a favor de quem eu disse: após mim vem um varão que tem a primazia, porque já existia antes de mim. Eu mesmo não o conhecia, mas, a fim de que ele fosse manifestado a Israel, vim, por isso, batizando com água.” (João 1:29-31).

Deve-se lembrar que João Batista veio com a missão de preparar o caminho para Jesus e o reconhecimento dEste como o Filho de Deus foi-lhe revelado pelo Espírito Santo. Desta forma, quando Jesus o procurou, ele tentou dissuadí-Lo, dizendo: 
   
“Eu é preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim? Mas Jesus lhe respondeu: Deixa por enquanto, porque, assim, nos convém cumprir toda a justiça.” (Mateus 3:14-15).

Apresentamos abaixo o esquema do período profético das Setenta Semanas, ressaltando-se que Jesus Se manifesta de forma pública e realiza todo o Seu ministério terrestre num curto espaço de tempo, em torno de 3,5 anos, tempo que abrange a primeira metade da última semana da profecia. 
70 semanas (cortadas dos 2.300 anos)
|-------------------------------70 semanas----------------------------------------------|
Dn 9:24-27
7 sem. ->
62 semanas -------------------------------------------------------------------------------->
1 sem.
Ef 5:2
Hb 5:1; 7:27; 8:3-4; 9:9-14; 10:1-2, 5-10; 13: 8-15
Mt 26:17-30
Mc  14:1,12
Lc 22:7-23
Ex 12:1-16; 13:3-10
Lv 23: 4-8
Gl 4:10
Ef 2:11-22
69,5 semanas

69,5 x 7 = 486,5 dias /anos ------------------------------------>    14/15 de abib
486,5 x 365,2422 = 177.690,3303 dias                                                          
177.690,3303 / 29,53059 = 6.017,1615 lunações
0,1615 x 29,53059  = 4,7692 dias
6.017 lunações = 25 ciclos [25 x 235 lun.= 5.875 lun.] + 142 lunações
Mostra-se também que, se começarmos da hora do sacrifício da tarde no Dia da Expiação e avançarmos 69,5 semanas (ou 486,5 dias proféticos ou 486,5 anos solares ou 177.690,3303 dias ou 6.017,1615 lunações ou 6.017 lunações + 4,7692 dias), chegaremos exatamente à noite em que o Cordeiro Pascal foi comido. Isto ajuda a confirmar tipológica e astronomicamente o relacionamento entre Daniel 8:14 e Daniel 9:24-27.

Após Seu batismo no ano 27 d.C, Jesus desenvolveu um trabalho intenso junto ao povo judeu, durante 3,5 anos; ocupou-Se em ensinar sobre o Reino de Deus, curar os enfermos, libertar os endemoninhados cativos de Satanás (Mateus 4:23), sempre evidenciando o Amor de Deus por Suas criaturas e redirecionando a mente humana para a graça, que havia sido ofuscada por tantas regras implementadas pela casta religiosa. Jesus demonstrou, por preceito e exemplo, que é possível viver de acordo com a vontade de Deus, obedecendo à Sua Lei, que é um transcrito do Seu caráter de amor.

Voltando ao texto de Daniel 9, o vers.26 informa que o Ungido seria morto depois das sessenta e duas semanas. De acordo com as informações disponíveis, conforme esquema profético acima, chega-se à metade da última semana, à data da morte de Jesus, no ano 31 d.C., no dia 15 do mês de Abib (Nisã), que era o 1º mês judaico e corresponde a março/abril, justamente na época da Páscoa.

O vers. 27 de Daniel 9 informa sobre a aliança que seria feita por uma semana, o que abrange o período que se estende do Batismo de Jesus até a morte de Estevão, evento este que marca o final da última semana do período profético das Setenta Semanas. O mesmo versículo passa a falar sobre o que ocorreria na metade da última semana da profecia das Setenta Semanas, a saber, “cessar sacrifícios e oferta de manjares”, o que se dá com a morte do Ungido. Os textos mais relevantes acham-se listados no esquema acima, alguns dos quais comentaremos a seguir:

Em Efésios 5:2 Paulo nos exorta a andar em amor como Cristo nos amou e ”se entregou a si mesmo por nós em oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave”.

A carta aos Hebreus contém uma riqueza de informações, estabelecendo um paralelo entre o Ministério do Santuário Terrestre do Velho Concerto (onde funcionava um sistema de oferta e sacrifícios) e o Ministério Sacerdotal de Cristo no Santuário Celeste.

Fonte: http://4.bp.blogspot.com

Hebreus enfatiza que o Santuário Celeste é superior ao Terrestre e que este era uma figura e sombra daquele (uma imitação); que os sacrifícios realizados diariamente, ano após ano, no Terrestre, com o sangue de animais, não podiam aperfeiçoar os ofertantes, enquanto o sacrifício de Jesus, realizado uma única vez, tem validade definitiva para a justificação daqueles que O aceitam. Com o Seu sacrifício, o véu do Santuário Terrestre rasgou de alto a baixo (Mateus 27:50-51), evidenciando que o sistema antigo, que era figurativo, terminara; pois aquilo que o terrestre simbolizava tornara-se realidade com o sacrifício expiatório de Jesus. Como exemplo transcrevemos Hebreus 9:9-10:

“É isto uma parábola para a época presente; e, segundo esta, se oferecem tanto dons como sacrifícios, embora estes, no tocante à consciência, sejam ineficazes para aperfeiçoar aquele que presta culto, os quais não passam de ordenanças da carne, baseadas somente em comidas, e bebidas, e diversas abluções, impostas até ao tempo da reforma.”

Após Sua ressurreição, e, com a aceitação por Deus do sacrifício a favor do homem, Jesus volta à Terra, onde convive com os discípulos por 40 dias (Atos 1:3). Já após a Sua ascensão, no 50º dia, ou seja, no Pentecostes (Atos 2:1), Jesus assume a posição de Sumo Sacerdote, é entronizado, assenta-Se à direita de Deus Pai e passa a ministrar no Santuário Celeste (Atos 2:32-36), concretizando o que foi dito em Daniel 9:24 sobre a unção do Santo dos Santos.  Ainda de Hebreus 9, transcrevemos:

11 - “Quando, porém, veio Cristo como sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, quer dizer, não desta criação, não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção.

15 – Por isso mesmo, ele é o mediador da nova aliança, a fim de que, intervindo a morte para remissão das trangressões que havia sob a primeira aliança, recebam a promessa da eterna herança aqueles que têm sido chamados.”

Considerando então toda a abundância de textos bíblicos que evidenciam que Jesus, cujo nome significa “Salvador”, é de fato o Ungido, o Messias prometido, cremos que o protagonista do texto de Daniel 9:24-27 é o próprio Jesus.

É muito confortador saber que Deus, apesar de todo poderoso, nos ama com amor eterno; por isto, nos comunicou, através do profeta Daniel, esta mensagem de esperança, concretizada pela pessoa de Jesus.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

E VÓS: QUEM DIZEIS QUE EU SOU? - III

OCORRÊNCIAS NO PERÍODO DAS SETENTA SEMANAS


“Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou? Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.”  (Mateus 16:15 e 16)

Como dito ao final da postagem anterior, o objetivo do estudo da profecia das Setenta Semanas é dar sustentação racional à fé cristã.

Foi também mencionada a profecia das 2.300 Tardes e Manhãs, que será abordada oportunamente.

Fonte: http://1.bp.blogspot.com

Agora, procuraremos compreender a conexão do período profético de Setenta Semanas (Daniel 9:24-27) com a pessoa de Jesus.

Informa o início do vers. 24:
 “Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade”.

Importa esclarecer ainda que este período corresponde a 490 dias, e de acordo com o princípio dia/ano de Números 14:34 e Ezequiel 4:6-7, aplicável em interpretação profética, corresponde a 490 anos (luni-solares). Cabe destacar que estes vers. de Ezequiel referem-se à Jerusalém num contexto profético.

Podemos agora avançar no entendimento da profecia das Setenta Semanas e sua conexão com a pessoa de Jesus.

Algumas perguntas, que tentaremos responder ao longo de alguns dias, podem nortear nosso entendimento:

1.   O que ocorreria nesse período das Setenta Semanas, ou seja, nesses 490 anos?

2.   Quando teve início tal período? E o término?

3.   Como Jesus se situa nesse período? Como se demonstra que o protagonista dos eventos abordados no texto é Jesus?

4.   Qual a relação entre esse período da profecia das Setenta Semanas e a execução do Plano da Redenção?

Vamos às respostas:

1.   O que ocorreria nesse período das Setenta Semanas, ou seja, nesses 490 anos?

Relendo o texto de Daniel 9:24-27, observa-se que, em síntese, ele trata do estabelecimento de um concerto, de uma aliança entre Deus e o homem, visando à salvação deste. Com este concerto, Deus concede ao homem uma nova oportunidade de reconciliação com Ele. Todos os atos expressos pelos verbos do texto envolvem a idéia de redenção.

O texto inicia posicionando o período das Setenta Semanas num tempo e lugar determinados: ”Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade”. Neste período seriam concentrados os atos decisivos do referido concerto, selado inicialmente com o povo judeu e a cidade de Jerusalém.

Observa-se que os judeus haviam transgredido a aliança com Deus, praticando a idolatria, a despeito das sucessivas advertências enviadas por Deus através dos profetas; sobreveio, então, o cativeiro babilônico, ficando desolada a sua cidade – Jerusalém, conforme se vê em Jeremias 11:1-14 e 22:8 e 9.

Prosseguindo no texto de Daniel, lemos na segunda parte do vers.24:

“para cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniquidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia e para ungir o Santo dos Santos”.

Todos estes atos mencionados no versículo acima são típicos de redenção e só foram possíveis mediante o concerto firmado por Cristo, efetivado por Seu sacrifício expiatório na cruz do Calvário, quando Ele depôs a Sua vida em favor de muitos, para remissão dos pecados (ver Mateus 26:28). Em Atos 10:34-43, o apóstolo Pedro prega para Cornélio, seus parentes e amigos e, inspirado por Deus, faz uma brilhante e eloquente síntese do Plano da Redenção, concretizado pela vida e morte de Jesus, o que confere com os atos redentivos do texto de Daniel acima.

Daniel teve então o privilégio de transmitir ao seu povo a grande mensagem de esperança da redenção, situando-a no tempo e no espaço. Ele foi grandemente confortado por ela.

Fonte: http://007blog.net/fotos/2013/02/Jesus-na-cruz.jpg

Para nós que vivemos após o cumprimento da profecia, ela revela o Deus onipotente, onipresente e onisciente, sempre se comunicando conosco, nos direcionando para o supremo objetivo – nossa salvação.